Após 25 anos de espera, moradora consegue dar entrada em título definitivo da casa com auxílio da Defensoria
Ação do “Meu Pedaço de Chão” segue até sexta-feira, no bairro Grande Vitória
Em 2001, Eliana Pereira, de 49 anos, construiu um lar para chamar de seu no bairro Gilberto Mestrinho. Assim como muitos brasileiros, tinha o sonho de sair do aluguel, mas construiu a casa em uma área irregular e o documento de regularização fundiária foi ficando para depois. Com a ação do “Meu Pedaço de Chão”, da Defensoria Pública do Estado do Amazonas (DPE-AM), os 25 anos de espera pela entrada na documentação terminou nesta quarta-feira (05/08).
No bairro Grande Vitória, a ação acontece pela segunda vez e segue até sexta-feira (07/08), das 8h às 16h, na Fundação Fé e Alegria, localizada na rua Tocantinópolis, nº 237. A iniciativa é coordenada pelo Núcleo de Moradia e Atendimento Fundiário (Numaf) e já alcançou mais de 4 mil atendimentos, desde a criação do núcleo, em dezembro de 2025. A partir de agora, Eliana Pereira faz parte do número de pessoas atendidas pelo Numaf na capital e no interior do Amazonas. Para ela, que foi a primeira pessoa a ser atendida na ação do Grande Vitória, a ansiedade é justificada, considerando o tempo que esperou para conseguir dar entrada na documentação. “Quando me mudei para cá com meus dois filhos, eles tinham um e dois anos de idade, então foram criados no bairro. Hoje já estão crescidos, casados, mas, assim como eu, não viveram em uma casa que era, de fato, deles. Consegui dar a entrada em todo o processo de regularização e estou muito feliz, de verdade”, disse.
Regularização fundiária para quem mais precisa
Manaus concentra seis das 20 maiores favelas do Brasil, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE): Cidade de Deus, comunidade São Lucas, Zumbi dos Palmares, Santa Etelvina, Colônia Terra Nova e Grande Vitória. Esta última ocupa a 20ª posição e foi escolhida pela Defensoria para o retorno de uma nova ação diante da demanda do número de moradores. Ao todo, cerca de 27 mil pessoas vivem na região, com uma grande parcela sem acesso à regularização fundiária.
Andréa Silva, de 44 anos, foi uma das moradoras que participou da primeira ação no bairro, que aconteceu no início de junho. Há 11 anos morando no local e mãe solo de cinco filhos, ela explica que lutou muito para conseguir construir sua casa e que sempre acompanhou as ações da Defensoria para saber quando o projeto “Meu Pedaço de Chão” chegaria ao bairro.
Como já participou da primeira edição e já deu entrada em toda a documentação, Andréa fez questão de chamar todos os vizinhos e acompanhar eles durante os atendimentos desta segunda edição. Para ela, um momento muito importante para todos do bairro.
“Minha luta foi difícil e fiquei muito feliz quando consegui dar entrada no título definitivo, por isso fiz questão de acordar cedo e chamar todo mundo hoje para cá, porque eu queria que eles sentissem o que eu senti e que dessem entrada nessa documentação aí, porque é importante”, falou. Para Eliana, que foi uma das vizinhas chamadas por Andréa, o gesto demonstra a confiança que os moradores têm pelo trabalho realizado pela Defensoria no bairro.
“Essa ação é maravilhosa, porque ajuda não só o nosso bairro, mas todos os outros que enfrentam os mesmos problemas que o Grande Vitória, inclusive os bairros vizinhos. Esse título é o sonho de muita gente e o atendimento aqui é muito legal e rápido”, concluiu.
